Com
calma, estou organizando mentalmente a grande experiência que foi conhecer um
pouco do nordeste brasileiro começando por São Luís, a capital Maranhense. Estive presencialmente em três capitais, por
muito pouco tempo mas, acredito, foi o suficiente para poder sentir como são as
coisas por lá.
O
ponto forte, com certeza, são as pessoas que lhe acolhem natural e
calorosamente.
São
Luís foi uma experiência singular, principalmente porque pude conhecer várias
pessoas que estavam envolvidas com o Guina, o belo catamarã que levaríamos. Não
pude conhecer a capital com calma, pois não estava a turismo, mas pude ir
várias vezes ao centro da cidade atrás de peças para o barco e tive uma boa noção.
É um lugar de incrível contraste. A parte antiga da cidade por vezes choca aparentando
certa decadência, o que, é o oposto diametral dos novos e ricos bairros que há
pouco tempo demonstram a ostentação de uma nova classe social em ascensão. A
parte antiga, por vezes, é suja e observamos a presença de muitas pessoas à
margem da sociedade. Os novos bairros ostentam luxuosos condomínios oferecidos
à essa nova realidade criada para poucos. São dois mundos que se conectam
através de uma delicada estrutura. Isso não é exclusividade de São Luís, nesse
aspecto, é inegável: estamos no Brasil. Coisa muito comum em nosso país é um
certo cinismo dos ricos em relação aos menos afortunados. É preciso registrar:
não senti insegurança em nenhum momento e em nenhum lugar da capital
maranhense, em todos os lugares havia uma atmosfera amistosa e receptiva; senti-me
em casa. Sem sombra de dúvida é um lugar que merece uma parada, até se você vem
de barco, pois a cidade guarda muita história e cultura agregadas, o povo é
muito receptivo e acolhedor, isso, por si só, já é um grandíssimo atrativo. Se
você vem de barco, com certeza será bem recebido pelo pessoal da AVEN, pois é
uma confraria de colegas da Vela. Pudemos dar muitas risadas com as histórias
do pessoal dos catamarãs.
Uma
das coisas que mais impressiona em São Luís, mesmo para quem não tem muita
relação com o mar, é a incrível variação de marés, que pode ter a amplitude de
até 8 metros. Esse visual, hora seco, hora molhado acaba sendo um protagonista visual
da parte central e adjacências. Adicionado a isso temos as belas costeiras, barcos típicos e tradicionais
que fazem parte desse cenário poético e único pintado com as cores que os
navegantes desses barcos determinam de acordo com as velas que utilizam. Essa
poesia visual é incrivelmente hipnotizante. Os barcos estão ali diante de nós, são
uma realidade, porém, a impressão é de que estamos vivendo um tempo recuado, e
essa impressão só é dissipada quando observamos elementos do mundo
contemporâneo contracenando com eles. Foi impactante ver essas embarcações
navegando pois no sul do país não existem mais essas manifestações típicas à
vela. Os últimos barcos tradicionais que utilizavam as velas em Santa Catarina
foram as baleeiras e com a proibição da caça, aos poucos, eles perderam sua
utilidade e, infelizmente, viraram peças de museu. Fui informado pelos
orgulhosos maranhenses que as costeiras
são utilizadas para vários fins; carga, passageiros e pesca. Um cenário como
esse, realidade em São Luís, hoje é apenas imaginado através de ilustrações da
baía Babitonga de cem anos atrás. Com um novo olhar sobre as coisas, não
estamos adiantados, pois utilizar motores a combustão de combustível fóssil não
demonstra evolução. Os ventos são uma energia perpétua e infinitamente
renovável. Sorte daqueles que mantiveram determinadas tradições, que não
justificam modismos e que através dos séculos moldaram essas embarcações à
perfeição.
Já
dediquei uma postagem ao Museu Nacional do Mar, que, de alguma forma, acendeu a
centelha de nossa família para as coisas do mar. Ver aqueles barcos no museu,
objetos inertes, são uma coisa. Presenciar essas embarcações no mar sendo
manejadas por experientes marinheiros, herdeiros de uma tradição cultural, é com
certeza uma experiência magnífica.
Vou
deixá-lo com as belas imagens que tive o privilégio de registrar quando da
passagem por São Luís, espero que goste.
Grande
abraço e bons ventos!






























