quarta-feira, 22 de abril de 2015

Os últimos dias foram muito especiais...


         Participamos, eu, o Rico, Letícia e Victor, de dois lançamentos de livros com palestras super interessantes no Museu Nacional do Mar. "Mar Me Quer" da Jornalista Isabella Nicolas e "Águas Vermelhas - A paixão que mudou uma vida" da Velejadora Izabel Pimentel que deu a volta ao mundo em solitário em seu veleiro Don.

       Aprendizado e inspiração, alegria e sonhos vivenciados em família que nos fizeram vislumbrar um mar de oportunidades e uma nova forma de viver e realizar nossos sonhos. A certeza de que tudo é possível para quem sabe o que quer e se decide a conquistar. E de que muitos encontraram resposta à pergunta de Neruda que Izabel cita em seu livro: "E sem sapatos como vamos dar a volta ao mundo, há tantas pedras nos caminhos?"...
Para fechar com chave de ouro, na noite de terça-feira, fomos convidados para um jantar na casa dos Meiga. Rita e Sr. Meiga, Wagner e Neusa prepararam uma sopa de pinhão especial e convidaram Marina Bruschi e Izabel Pimentel, que acabou por permanecer mais um dia na ilha e em nossa pousada. Uma noite agradabilíssima na companhia de amigos, muitas histórias e uma luz que iluminava a todos.
Agradecemos à Marina, Coordenadora do Museu Nacional do Mar, por nos dar a oportunidade de participação nos eventos. À Izabel por conversas tão enriquecedoras para nós e à família Meiga, pessoas muito especiais.
Abraços e bons ventos a todos, desde São Francisco do Sul!

Luciane Ville














sábado, 18 de abril de 2015

Exibição do filme e Lançamento do livro MAR ME QUER de Isabella Souza Nicolas


         Fomos convidados pela Marina Bruschi, velejadora e coordenadora do Museu Nacional do Mar, para exibição do filme e lançamento do livro MAR ME QUER da jornalista carioca Isabella Souza Nicolas. O evento ocorreu nessa sexta-feira à noite e reuniu um seleto grupo de entusiastas da vela e do mar.

         Marina, uma anfitriã exemplar, logo da nossa chegada fez questão de nos apresentar à Isabella. Pessoa simpaticíssima, Isabella atendeu a todos com seu carisma e extroversão, interessando-se por cada um que lhe abordava e, educada, perguntava de onde cada qual tinha vindo ou parte de sua história, interessando-se genuinamente e deixando assim, os convidados bem à vontade. E foi nesse clima descontraído e informal que o evento foi conduzido, inclusive Isabella, logo que entrou na sala do Museu que dá acesso ao auditório, ficou encantada com as baleeiras catarinenses e a sala feita especialmente para elas e sua história, que pediu à Marina para que o filme fosse exibido ali mesmo, em meio aos barcos; lugar muito oportuno, sem dúvida.

         Naturalmente comunicativa, nos contou várias histórias de bastidores muito interessantes. Confidenciou que a única equipe brasileira a participar de uma edição da Volvo Ocean Race com o barco Brasil 1, teve o orçamento de apenas um terço comparado às outras equipes, fato impressionante que evidencia a garra do Capitão e um dos maiores medalhistas olímpicos do mundo, Torben Grael, à frente do time de persistentes e experientes velejadores que conseguiram um feito elogiável e digno de orgulho aos brasileiros, um honroso e incrível 3º lugar geral no maior evento náutico do planeta.

         O livro e documentário traçam um fio histórico que liga os motivos de nosso “descobrimento” até o panorama da Vela atual passando pelos anos românticos e também vitoriosos de um esporte que teima em manter-se elitista, pelo menos na visão do populacho, fato esse que não agrada a classe e nos intriga quanto ao fato de termos um litoral imenso e tão pouco utilizado, ou no máximo, subutilizado, pois o brasileiro vai até a arrebentação para pegar uma onda e então retorna até a praia. A Vela, um esporte acessível desde a classe média baixa, mas que não desperta ainda interesse é realmente uma incógnita analisada no filme, porém sem resposta plausível.

         Sem sombra de dúvida uma noite memorável que acrescentou sobremaneira culturalmente ao público presente e que só reforça imensuravelmente o papel de propagador do saber e cultura marítima, o Museu Nacional do Mar, desde o transeunte despretensioso até o ávido e interessado visitante que quer agregar à sua bagagem cultural e, porque não, espiritual.

         Nossa família parabeniza a iniciativa, dedicação e organização do evento na pessoa da Marina Bruschi, agradecendo a oportunidade ímpar de conhecer Isabella Nicolas, importante sistematizadora da história da Vela no Brasil e incentivadora de tão nobre filosofia de vida.


         Bons ventos desde a Babitonga e até a próxima postagem!




terça-feira, 17 de março de 2015

A primeira regata a gente nunca esquece!

         Semana passada, mandei mensagem ao Wagner perguntando se ainda estava de pé o convite feito anteriormente por ele e sua Almiranta, a Neusa, para conhecermos o Leva Vento, um MOD 40 recém-adquirido e cuidado a “pão de ló” pelo antigo proprietário. Respondeu positiva e entusiasticamente como quem quer mostrar o filho recém-adotado. Embarcamos, eu e Luciane, para conhecermos o Leva Vento. Luciane e Neusa não se conheciam e esta foi uma ótima oportunidade.


         Wagner Meiga é o nome do Comandante do Leva Vento. Temos um laço de amizade com ele desde o lançamento do Hoje!, quando o Luciano Saraiva, hoje professor de Vela do JIC (Joinville Iate Clube), convocou-o para ajudá-lo no delivery do Capri até o Museu Nacional do Mar. Essa história eu já contei aqui no blog e para conhecê-la ou revê-la clique aqui. Wagner é natural de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. É piloto e confidenciou-me que teve a oportunidade de trabalhar em regiões rurais para exercer uma de suas paixões, a aviação, porém, a paixão pelo Mar falou mais alto e não conseguiu ficar distante por muito tempo. Exímio praticante de Kite e Wind Surf, depois que veio morar em São Francisco do Sul, não mais voltou e sua paixão pelo Mar só se intensificou. Introvertido por natureza, quando se solta, expele pérolas humorísticas bem ao seu tom.

         Na outra semana, Wagner nos envia mensagem convidando para a regata organizada pelo JIC e a Flotilha Norte Catarinense de Veleiros de Oceano, a FNCVO. Empolgados, aguardávamos ansiosamente a participação em nossa primeira regata.

Para fazer parte da tripulação ele convidou a Marina Brushi, personagem que já figurou nesse blog, quando precisamos de ajuda num dia de sufoco em que o Hoje! “fugiu” da poita. Caso não conheça essa história ou queira relembrá-la clique aqui. A Marina hoje é Coordenadora do Museu Nacional do Mar. Devolve toda sua devoção ao Mar e barcos se dedicando ao árduo trabalho de fazer o Museu sobreviver com recursos esparsos. Tarefa árdua, pois todos sabemos, em nosso país, a educação é algo relegado ao supérfluo e cultura, principal e infelizmente, a náutica; dessa maneira, é tida como um artigo de luxo. Sempre é convidada para tripular diversos barcos, pois endossa sua experiência e muito boa vontade, resultado de várias travessias pela costa brasileira e também por várias regatas que correu em diversos lugares.

Sábado, 14.03.2015. Às dez horas chegávamos ao Museu Nacional do Mar, local onde fica apoitado o Leva Vento. De acordo com a previsão os ventos viriam do quadrante leste, a princípio, de intensidade irrisória, fato que se confirmou. Saímos a motor por dois motivos: falta de vento e para chegar a tempo da largada, que seria em frente à entrada do Capri às 12 horas.


Partida do Museu Nacional do Mar


Içando a Mestra através de sua respectiva adriça e catraca


Bate papo com a tripulação do Azzurro antes da largada


Luciane feliz da vida em sua primeira regata


Luciane e Marina na expectativa da largada


Veleiros Azzurro (Skipper 21) e Kraken (Skipper 30) se preparando para a largada

Para não queimarmos a largada, tivemos que dar um jaibe, o que nos deixou de popa para a saída. A nosso bombordo tínhamos o veleiro Catarina que pela regra de regata nos pediu “água”, ou seja, tinha direito de passagem, o que nos fez ficar entre eles e o barco da CR (Comissão de Regata) a boreste, fomos então obrigados a utilizar o motor para não abalroá-los; procedimento aceito dentro do regulamento, visto que tem como objetivo assegurar a integridade das embarcações e tripulações (Vide súmula com o resultado final no rodapé desta postagem).

Depois do apito de partida, de acordo com a regra, ainda temos 20 minutos para cruzar a linha e iniciar o trajeto de regata. O vento mirrado não nos ajudava; o Leva Vento é um portentoso e elegante barco de 40 pés e devido ao seu peso, proporcional ao seu tamanho, não se desloca com qualquer brisa. Temíamos não largar e então a frustação não poderia ser escondida. Com paciência, atributo digno de todo velejador que se preze, aguardamos o momento certo. Efetuamos o jaibe e então iniciamos nosso deslocamento, cruzando a linha de partida e rumando em direção à barra da baía Babitonga. Como o vento vinha praticamente “na cara”, e barco à vela não velejam de cara para o vento, fizemos os costumeiros, trabalhosos, mas também, prazerosos, bordos. Ziguezagueando e costurando o canal da baía, ora colocando a proa na praia de Itapoá, chegando bem perto dos pesqueiros, ora aproando até a praia do Capri, local pouco povoado, devido à área preservada.

Sentimos, através das cambadas, que o Leva Vento, por sua característica de barco de cruzeiro, orça e aderna suavemente, oferecendo muito conforto aos seus tripulantes; um legítimo “cruza-mares”, mas, sem perder em desempenho, o que é uma surpresa agradabilíssima.

Nossa abordagem à barra foi morosa devida à largada atrapalhada, dessa maneira desgarramos dos outros veleiros e, segundo o Comandante Wagner, não fosse isso, estaríamos muito próximos, ou até na retaguarda deles.

Como ninguém de nós é profissional, a coisa toda só pôde ser encarada, senão, como uma brincadeira de gente grande, e o resultado, do começo ao fim, foi muita diversão. Os ventos nos foram mais favoráveis, aumentando um pouco de intensidade, variando entre 10 e 12 nós. Éolo, quem sabe, sendo menos rigoroso nos concedeu o prazer de uma aprendizagem tranquila e sem solavancos.

Tão logo nos aproximamos do Arquipélago das Graças, fizemos a abordagem da Ilha dos Veados até muito próximos dela, quando cambamos a bombordo, contornando-a. Iniciamos a volta das ilhas, fato inédito para eu e Luciane, e podemos observar o visual inóspito da Ilha da Paz, onde se localiza o Farol, pela visão de quem vem pelo mar; grande experiência! Como bem explicitado pelo Comandante, a vegetação daquele lado da ilha é baixa devida à incidência do vento sul, que sopra com intensidade e rigor.

Contornamos o arquipélago usando todas as posições possíveis nas velas (mareações), até, finalmente, adentrar a baía novamente, com o vento em popa; em asa de pombo.

Perto da chegada, meio que por castigo, com a correnteza contra, ultrapassamos o veleiro Catarina, do mesmo comandante que havia nos pedido “água”, não aliviando nossa largada, o que nos atrapalhou um pouco. Com muito bom humor, afinal, tudo é uma confraria de colegas, brincamos que não chegaríamos por último. O barco da comissão de regata aguardava na linha de chegada e apitou sinalizando o término de nossa participação. Permanecemos nesse rumo, em asa de pombo, até a chegada ao Museu e radiantes nos aproximamos da poita do Leva Vento. Chegando ao Museu, alguns colegas de outros veleiros, vindos do JIC, mas não participantes da regata, ali se encontravam e nos cumprimentamos e conversamos sobre o dia bonito, ou qualquer coisa que enfatize a vida à vela que nos causa grande prazer, como é de costume entre velejadores. Para comemorar, Marina trouxe cervejas Itaipava, e, inevitavelmente, lembrei que os colegas velejadores e blogueiros paulistas apreciam muito a bebida. Estupidamente geladas, devido a geladeira eficientíssima do Comandante, degustamos e celebramos a regata, à nossa amizade e à vida!

Agradecemos a oportunidade, companhia e experiência concedidas pelo Wagner e Marina e aguardamos com agradável ansiedade a próxima regata.

É com esses ventos favoráveis que nos despedimos embarcando cada vez mais na vida náutica, coisa que é de um valor imensurável, e se tiver dúvida, tente também, tenho certeza; isso poderá mudar sua vida irreversivelmente.


Grande abraço da nossa família à sua, bons ventos e mares desde a Babitonga!


Comandante do veleiro Catarina (Ranger 22) pedindo“água”


Emparelhados, prontos para o apito de partida


Marina feliz depois de ajustar a Genoa num bordo


Num bordo, rumando até a praia de Itapoá, lado esquerdo do baía Babitonga para quem está saindo


Comandante Wagner tocando seu barco e curtindo a velejada


Popa do Leva Vento e sua esteira


Muita água depois do trabalho nas catracas


Ao largo nossos oponentes aproximavam-se do arquipélago das Graças


Abordagem à Ilha dos Veados


Visão de quem vem pelo mar da Ilha da Paz e seu Farol


Farol da Ilha da Paz visto do mar


Nenhum veleiro ancorado na Ilha da Paz, é dia de Regata!


Comandante Wagner brincando com a tripulação do Catarina


Veleiro Catarina e seu bonito balão pela nossa esteira


Catarina visto por nossa popa


O belo MOD 40, motivo de orgulho do Comandante Wagner


Posando na volta ao Museu do Mar, radiantes depois da experiência da regata através do Leva Vento


Registro do anoitecer embarcado no Leva Vento




Resultado oficial da regata

domingo, 3 de agosto de 2014

Cicloturismo pelas praias de São Francisco do Sul


         Desde que nos mudamos para São Francisco do Sul, vindos e naturais de Curitiba, começamos a fazer caminhadas e pedaladas por Itaguaçu, local que escolhemos como morada e também como ponto propício para pouso de pessoas interessadas em desfrutar das belezas inerentes a esse lugar. Com a pousada buscamos compartilhar dessas prováveis experiências e sensações. A cada nova micro exploração que empreitamos, a ilha mostra-se especial. Como, por enquanto, estamos sem embarcação própria, o que, de certa forma não é problema, pois recebemos reiterados convites para compor a tripulação de outros barcos, vamos relatar alguns de nossos passeios terrestres, mas, invariavelmente envoltos por água, visto que estamos numa ilha e mesmo em seu centro nasce o Rio Acaraí. A boa nova é que cogitamos um novo barquinho e logo apareceremos com a novidade.

         Peço portanto, licença a nossos leitores antigos, pois vou estender o blog para além das fronteiras estabelecidas visando atingir pessoas interessadas num destino eco turístico que tem muito a oferecer também por terra. A vocação náutica de São Chico é inevitável mas, por ora, colocaremos o pé no chão para explorar e descobrir as várias facetas desse lugar que encanta há séculos desde os índios Carijós até os primeiros franceses que desembarcaram por aqui há mais de quinhentos anos.

         Um passeio que venho fazendo com meu filho (7 anos) repetidas e incansáveis vezes é ir até a Enseada, distante 7 km. Já tivemos hóspedes que trouxeram suas bicicletas para poder aproveitar melhor da estadia e isso inclusive, despertou-me sobre esse relato. A bicicleta tem um ritmo muito diferente do automóvel fazendo possível a passagem por lugares mais agradáveis e pitorescos, isso torna apraz o exercício contemplativo da mente e também a prática descompromissada da fotografia. Exercitamos o corpo e exigimos de nosso aparelho respiratório culminando com incremento de nosso olfato. Já percebeu que quando estamos pedalando abrem-se as portas da percepção sensorial e o sentido mais beneficiado é o olfato? Outro poderoso efeito colateral é o resultado dessa oxigenação e circulação; é melhorada a função cerebral auxiliando até no espairecer das ideias. Sem contar que liberamos o hormônio denominado serotonina que nos causa grande prazer, incrementando o humor, mesmo cansados depois de uma longa pedalada.

         A topografia de São Francisco do Sul é no geral plana, isso favorece sobremaneira a prática do ciclismo. Muitas paisagens aquáticas de tirar o fôlego exigirão a mais dos pulmões pois além do ar puro vindo diretamente do oceano é preciso parar várias vezes para assistir ao espetáculo natural que deixa boquiabertos seus transeuntes.

         Nos despedimos com as imagens captadas no último passeio.


         Grande abraço e até a próxima!


Saída através das ruas secundárias de Itaguaçu



Os belos jardins que encontramos pelo caminho


Nosso destino final, a praia da Enseada


Fomos vítimas de um pôr do sol avassalador



Os tradicionais barcos de pesca da Enseada


Na volta, os resquícios de luz refletidas sobre a foz do Rio Acaraí